ENTREVISTA  |  EDIÇÃO Nº 246  |  26 OUTUBRO 2010


O sobrenome Violas pode significar sorte e dinheiro. O que muitos se esquecem é que por detrás de um empresário de sucesso há sempre uma história de vida: Manuel Violas brincou e magoou-se como qualquer criança que tentava imitar o seu ídolo. Sedento por fazer desporto, o destino que lhe tinha sido traçado pelo seu pai no mundo dos negócios foi mais forte que a “explosão” desportiva que nunca aconteceu. 

Quando quis jogar futebol na sua terra, foi parar a Madrid. Quando surgiu a oportunidade de ingressar no colosso Atletico de Madrid, o pai “escondeu-o” na Suíça. Regressou a casa e à presidência do Sp. Espinho, que teve então a sua melhor época de sempre. Mais tarde veio o golfe para alimentar o “bichinho” da competição. A paixão de jogar perante um estádio cheio esconde-se por detrás do brilho nos olhos quando fala do seu passado desportivo. É esta a história de vida de um homem que hoje lidera um império.

JE - Quando começou a sua relação com o desporto?
MV - Tal como qualquer miúdo, começou no recreio da escola primária, onde jogava futebol. Depois, ainda muito novo, joguei voleibol federado nas camadas jovens da Associação Académica de Espinho, por influência de alguns amigos, durante alguns meses. Durante a minha adolescência, joguei ainda andebol no Liceu.

JE - Qual foi a sua maior paixão?
MV - O futebol, sem dúvida. Aliás, esse desporto preenchia o imaginário de qualquer criança.

JE - Quando jogava, quem imaginava que era?
MV - Embora mais tarde viesse a desempenhar as funções de guarda-redes no futebol e no andebol, o meu ídolo era o Eusébio. Estávamos em plena década de sessenta, o Benfica estava a atravessar o período áureo da Taça dos Campeões e, por isso, era normal que todos se inclinassem para o clube da águia.

JE - Gostando tanto de futebol, porque começou pelo voleibol?
MV - Naquela altura não havia camadas jovens e, além disso, a minha família não esteve muito de acordo. Basicamente, como o meu grupo de amigos foi para o voleibol, também fui. Como já disse, a experiência durou pouco tempo porque a minha paixão era mesmo o futebol.

JE - Mas não ficou parado…
MV - Foi quando comecei a jogar andebol no Liceu, como guarda-redes. Não joguei ao nível federado porque a resistência da minha família continuou.

JE -Gostou dessa fase?
MV - Gostei muito, porque tínhamos um bom grupo e uma boa equipa. Joguei vários anos, até que fui estudar para Madrid.

JE - Onde, finalmente, jogou em competição federada…
MV - Comecei por jogar andebol no Atlético Madrileno, durante seis meses.

JE - Mal se apanhou sozinho em Espanha…
MV - (Risos) Aconteceu um conjunto de circunstâncias. Em Setembro, quando acabei o Liceu e cheguei à Universidade Espanhola, as aulas já tinham começado. Não pude inscrever-me e apenas me foi permitido assistir a determinadas aulas. Como fiquei com imenso tempo livre, aproveitei para jogar andebol, voleibol e futebol numa equipa da Universidade.

JE - Como é que saltou para o federado?
MV - Nestas coisas, há sempre um olheiro e aconteceu que acabei por ser convidado para jogar andebol. Mais tarde, também fui convidado para jogar futebol no Atlético Madrid. Mas, como só tinha dezassete anos, precisava da assinatura do meu pai. Obviamente, ele não deixou.

JE - A resistência continuava?
MV - De imediato, mandou-me para uma Universidade na Suíça (risos).

JE - Afinal, porque é que o seu pai resistia tanto em o deixar jogar?
MV - O meu pai deixava-me jogar, mas não queria que jogasse ao nível federado. Havia sempre a possibilidade de as coisas correrem bem e enveredar por uma carreira. Isso queria dizer que não iria trabalhar com ele tão depressa. O seu desejo era que acabasse o curso e o fosse ajudar.

JE - Mas a ida para a Suíça não o impediu de jogar…
MV - Joguei futebol, mas procurei nunca jogar nas equipas principais. Aliás, durante o tempo que estive na Universidade joguei na 2ª Divisão, mais propriamente na equipa local, o Fribourg. Foi uma experiência de cinco anos muito enriquecedora.

JE - Houve convites para mudar de equipa?
MV - Tive convites do Lausanne, do Servette e de outros clubes. Não aceitei nenhum deles, por minha opção. Tinha interiorizado que regressaria a Portugal quando terminasse o curso, o que aconteceu quando tinha vinte e quatro anos.

JE - Continuou a jogar quando regressou a Espinho?
MV - Não. Parei completamente de fazer desporto durante sete ou oito anos.

JE - Entrou de cabeça na vida empresarial…
MV - De facto, dediquei-me ao trabalho, mas, passados quatro anos, aconteceu algo interessante: fui presidente do Sp. Espinho. Ou seja, passei do futebol jogado para o dirigismo do futebol. Foi uma experiência muito rica que durou dois anos. Gostei muito, mas nunca mais me apanham no futebol (risos). Depois disso, passei a jogar futebol de salão com um grupo de amigos, duas vezes por semana. Também continuei a praticar uma paixão que adquiri na Suíça: Ski na neve.

JE - O dirigismo foi assim tão absorvente?

MV - Ser presidente do Sp. Espinho é algo de muito absorvente. Assim o foi naquela altura porque tive de refazer tudo, desde o plantel até às estruturas de apoio médico. Claro que tinha o apoio do meu pai.